Apesar das constantes visitas aquele local após sua mudança
temporária, não acostumara-se ao ambiente e seus olhos constantemente
estranhavam a escuridão presente. Vegetação e humidade por todos os lados, toda
vez que adentrava ali absorvia a idéia de que o descobrira em meio ao nada e
acreditava a cada segundo que só poderia ser coisa do seu destino.
Um palácio perdido em um continente perdido, as paredes,
ruínas, todo o cenário aparentava ter sobrevivido a uma guerra, invasão,
disputa. Não se sabia ao certo as histórias que guardavam consigo, muito menos
que seria um mausoléu; ou tornara-se um.
Fascinara-se. As estruturas danificadas com o tempo e
cobertas pela natureza guardavam o tesouro que agora era seu, somente seu.
Decidira que abandonaria tudo e ressuscitaria o passado que embriagava seus
sentidos e dominava seus pensamentos; encontrara tudo o que precisava depois de
anos de procura. Seu objetivo caminhava a passos largos agora.
Acompanhando por alguns servos, repetiu o ritual diário batendo
suavemente a imensa porta de madeira que apesar dos anos, seguia firme e
inabalável de aparência um tanto assustadora. Parecia que avisava aos
visitantes para não passarem por seus limites.
– Magestade. –
Manteve-se frente a porta.
Não obteve resposta. Entrou, seguido receosamente por seus
acompanhantes. O silêncio e a escuridão tornavam-se palpáveis ali; escuridão
densa ao ponto de sentirem seus corpos pesados e um silêncio que a cada passo
aumentava a inquietação nos presentes, nem meus seus próprios passos eram
ouvidos claramente; caminhavam sem aparentemente saberem aonde pisavam e para
onde iam.
O líder que tão pouco sentia-se desconfortável, interrompeu
seus passos ao ponto de pegar alguns despercebidos gerando algumas colisões
dentre os demais, e seguidamente, antes que os pedidos de desculpa fossem
pronunciados, ouviram um baque. O som de um corpo colidindo ao chão ecoou por
todo o salão causando um alvoroço surdo nos presentes.
– Magestade, me
chamou? – Pronunciou-se com o tom frio.
Em meio à escuridão, pode ser visto nitidamente uma linha
branca formar-se. Gradativamente, tochas anexas as gigantescas paredes
acenderam-se voluntariamente por toda a extensão anulando o breu e revelando
quem os aguardava. Podia-se ler claramente em cada face o assombro e desespero,
menos em seu líder que mantinha-se firme e cômodo em sua posição. Era
inabalável e não mudava sua postura de maneira alguma.
Daquele sorriso, uma fina linha escarlate surgiu escorrendo
timidamente pelo canto daqueles lábios e o brilho nos olhos vermelhos
realçou-se ao verificar o sentimento que tomara os demais, com exceção do homem
de cabelos negros e curtos, de olhos escuros e sem brilho que trajava uma roupa
um tanto fora de seu gosto pessoal. Divertia-se a cada visita.
Sua voz soou autoritária. – Não dá mais pra brincar com ele.
– Apontou para o corpo agora sem vida a sua frente.
Imediatamente com um comando mudo de uma de suas mãos,
alguns homens recolheram agilmente o cadáver e retiraram-se do local. Mesmo
sendo comum tal ocorrido, continuavam a temer o jovem rapaz sentado ao luxuoso
trono que sempre os recepcionava com aquele sorriso assombroso. Incompreensível
era a seus olhos a postura e atitudes de seu senhor mediante a tal figura que
agora serviam.
Zabusa caminhou até o trono, retirou de um dos bolsos
internos do sobretudo um lenço e tocando delicadamente o rosto do rapaz loiro
sentado relaxadamente, desceu seus dedos até alcançarem o fino queixo, sendo
seguido pelos grandes olhos vermelhos. Sutilmente levantou-o de forma a visualizar
melhor a linha que destacava-se naquela pele branca e aproximando seu rosto cuidadosamente
limpou o filete.
O loiro sorriu novamente, depositando suas mãos em ambas as
extremidades do sobretudo do moreno puxando-o para diminuir a distancia entre
ambos. Zabusa apoiou-se ao trono e encarando os rubis que reluziam luxuria, visualizava,
seu cobiçado prêmio. Subindo ansiosamente, envolveu a nuca do moreno que não evidenciava
resistências.
Sussurrou. – Quem sou eu...? – Seus olhos depositaram-se nos
lábios de seu servo.
Sabia o que precisava dizer .– Magestade. – Respondeu firme.
Riu divertido observando o rosto daquele homem, não sabia o
motivo, mas adorava ouvi-lo dize-lo. Satisfazendo-se, anulou completamente a
distancia entre seus lábios.
Iludiam-se.
[ ... ]
A festa seguia agitada, muitas pessoas da elite
encontravam-se naquele local para comemorarem a chegada da data mais importante
do calendário dos Umi no jūnin – Habitantes do mar-. O céu estava
um tapete negro, lindo, totalmente banhado de estrelas; todas as constelações
que os acompanhavam por gerações viam-se claramente e obviamente, participando
da festa.
Tradicionalmente o evento seguia ao ar livre nos jardins
internos do palácio. Ao centro, em destaque, a pista de dança elevada do chão
com seu piso em cor amadeirada destacava-se convidativa e os músicos tocavam
animadamente. Ao redor, as mesas repletas de convidados. Integradas ao
ambiente, algumas arvores de porte modesto apresentavam-se adornadas de
pequenas lâmpadas que exibiam seu brilho dourado como pequenos vagalumes.
Naquela noite o garoto trajava sua melhor roupa, não que
isso não ocorresse costumeiramente, mas sendo uma data tão especial havia se
superado. Sentia palpavelmente os olhares de luxúria em si, era o centro das
atenções não importando a ocasião ou o lugar. Música, conversas e sorrisos
enchiam o ambiente; entretanto, apesar de estar cercado por amigos, da comida
farta, belas garotas a sua disposição; sentia-se vazio. Não um simples vazio de
fácil percepção, era um vazio indecifrável. Não fazia idéia da onde surgira
aquele sentimento, era como se sempre existisse dentro de si, contudo, permanecera
escondido no ponto mais isolado de sua alma de modo a conseguir temporariamente
encobri-lo. Riu ironicamente... Como seria possível ter tal sensação se nem ao
menos soubera o motivo?
O vento prosseguia a soprar agradavelmente, fechou
lentamente seus olhos e verificou que sua mente estava vazia... No que poderia
pensar se nem ao menos entenderá a si mesmo? Reabriu os olhos e um sorriso
imperceptível nasceu em seus lábios; ainda sentado em uma das mesas, retornou a
interagir com o liquido que dançava suavemente em seu copo... Talvez mais
algumas doses de rum resolvessem o problema.
Imaginou se aquele momento poderia ser classificado como poético,
mas rapidamente livrou-se da hipótese. Poético? Da onde surgira suposição tão
idiota? Riu e admirou-se consigo mesmo, desde quando pensara nesse tipo de
coisa? A música da vez, dançante, tomava todo o ambiente, e apesar disso ele já
não conseguia ouvir as vozes ao seu redor; tornaram-se inaudíveis. Como
alcançara tal ponto? Sinceramente, sentia-se quem sabe solitário... Porém, não
seria essa a palavra ideal que aproximasse a sua tentativa fracassada de obter
uma resposta para si, e acalmar a ansiedade crescente em seu peito.
Antes que seguisse com seus devaneios e distanciasse ainda
mais, a brisa intensificou-se trazendo consigo um leve aroma adocicado.
Engasgou-se com sua própria respiração.
Seus batimentos cardíacos intensificaram-se e
instintivamente voltou-se a direção do aroma que o tragara. Depositou firme o
copo sobre a mesa e violentamente levantou-se a ponto de quase derrubar sua
cadeira no chão assustando aos seus acompanhantes. Acompanhantes? Não havia
mais ninguém ali. Estava só.
Desesperadamente, como uma criança perdida a procura de sua
mãe, iniciou passos rápidos, firmes, ansiosos. Não sabia por que, não sabia
como, não sabia simplesmente de nada, apenas sentia com todo seu ser que
deveria seguir aquele perfume. Alcançando a pista suspensa ao centro, como se
previsto, a música que antes movia os corpos alucinadamente, acalmara-se e logo
os casais haviam se formado ali.
Subiu sem utilizar as escadas, naquele momento se demorasse
mais alguns segundos para chegar ali, sentia que verdadeiramente iria morrer.
Continuou a passos cuidadosos, entretanto, urgentes a buscar entre aos
convidados... Mas buscar quem? Essa e outras perguntas ainda enchiam sua mente.
Enlouquecera, só poderia ser isso, mas aceitou prosseguir. Sorriu para si, o
que estava tentando esclarecer, entender? Naquele estado tornara-se impossível
parar.
Perdeu o ar.
Antes mesmo de conseguir concluir seus pensamentos, obtivera
a resposta para suas perguntas que dissiparam-se . Seus músculos
paralisaram-se, seu coração insistia em descontrolar-se, a temperatura se suas
mãos caíram drasticamente e sentiu seus olhos umedecerem.
Diante de seus olhos, uma garota que surgiu caminhando a
passos suaves a sua frente. Movia-se despreocupadamente, mas ao vê-lo
deteve-se. Olhos gentis de cor nunca
antes vista pelo rapaz, seus lábios moveram-se delicadamente formando um
sorriso doce, mas ao mesmo tempo convidativo. Seus longos cabelos dançavam
embalados pela brisa de primavera que agora fundira-se com seu perfume.
Respirou vagarosamente para que aquele aroma percorresse seu
interior, necessitava senti-lo. Sustentou o olhar e antes que desse por si,
caminhava em direção a ela; achou engraçado como todo o sentimento de segundos
atrás acalantara-se.
Antes que a alcançasse por completo, a menina virou-se ao
sentido oposto e retornando os grandes olhos, como se o encorajasse a segui-la,
desceu da pista. Apertando ainda mais o passo sem ao menos esbarrar em algum
presente que dançava despreocupadamente sem notar ambos, manteve-se a perseguir
o seu objetivo. Precisava, queria... Não. Necessitava daquela garota.
Ao nota-lo mais perto, sorriu de forma moleca e pôs-se a
correr, contudo, foi surpreendida por uma mão que a interromperá de maneira
firme voltando-a para si. Seus corpos chocaram-se, e ao encontrar aqueles
grandes olhos verificou o rosto de uma criança que reivindicava o direito de
continuar a brincadeira. Era linda...
Não pensava, ouvia, sentia. Nenhum de seus sentidos
permaneceram consigo, e ela mantinha-se a sorrir. Sentia como se ela soubesse o
que se passava com ele, e ainda pior, provocara-o de propósito. Sim, sabia
muito bem que o havia dominado. Como se a séculos não viam-se, sido separados
forçadamente, seus corpos colaram-se em um abraço ansioso. Vagarosamente levou seus
lábios ao encontro dos dela, desesperadamente silencioso e paciente. Pronto, o
resto não importava mais.
Nada mais importava...
[ ... ]
Desde que a terra
nascerá, constantes ciclos iniciaram-se, renovaram-se e terminaram. Contudo, um
que todavia surgirá do sangue e do ódio, amaldiçoadamente, havia despertado
após incontáveis épocas adormecido...
[ ... ]
Suspirou pesado e observou por alguns instantes os poucos
raios de sol que lutavam bravamente tentando adentrar o dormitório e, naquele
instante, após muito tempo, sentia algo que o intrigava, mas ao mesmo tempo
irritava profundamente. Bufou. Sentia seu corpo mais cansado do que o normal e
certamente, a acompanhante atrás de si não era responsável por tal fato.
Acompanhou a dança das pequenas partículas de pó enquanto o tempo arrastava-se.
Sentado a ponta da cama de lençóis vermelho sangue em seda,
enquanto terminava de dar o ultimo gole do rum que havia amanhecido no copo,
ele nem ao menos olhara ou se despedira daquela mulher de cabelos loiros
cacheados com quem passara a noite, acreditava que quem estava consigo era a
garota de cabelos róseos, entretanto, já não fazia mais diferença. Na realidade
ele nem sabia quem a garota seria, não lembrava até o momento de nada relativo à
noite anterior devido a amnésia alcoólica que sofrera por exagerar na bebida.
Depositou o copo aos pés da enorme cama de casal e caminhou
até o banheiro nu, pegou a primeira toalha que encontrou e a vestiu cobrindo
apenas seu abdômen, deixando amostra sua marca que contornava o umbigo sobre a
pele morena no corpo escultural e, sem se olhar no espelho saiu do quarto.
Mais uma noite, e mais uma mulher. Espreguiçou-se e passou
suas mãos pelos cabelos loiros, durante o percurso pôde sentir o sol acariciar
sua pele, fechou os olhos e respirou fundo o ar para renovar-se, ainda podia
ser sentido o aroma de rum e uma essência feminina de rosas.
Durante o percurso, tentava sem sucesso recordar do que
fizera na noite anterior ou ao menos, como fora terminar com uma loira em um
dos quartos de hóspedes. Não que já não fosse normal, a questão era: como
conseguira se embebedar ao ponto de não haver resquício algum em sua memória,
afinal, beber era como um esporte para ele, então dificilmente acabaria em um
estado tão degradado. Sentia que terminar aquele copo de rum, não fora uma de
suas melhores decisões, o fígado começara a xiar.
[ ... ]
A conversa tomara um
percurso oposto ao planejado pelo tutor, normalmente as aulas particulares
seguiam de maneira regular, ora seriamente, outra desregrada. Contudo, naquelas
circunstancias o ensino era irrelevante, o rapaz se encontrava em alto mar.
Em fragmentos, a voz
tornou-se audível. – Sasuke-sama? – Seu tom demonstrava preocupação.
Aos poucos, sua atenção
voltou ao mestre. – Ouviu alguma coisa que eu disse até agora? – Fechou o livro
e manteve-se no lugar.
O moreno desvencilhou-se
dos olhos do tutor e observou ao redor, aparentemente tentava identificar o
local em que estava. Conferiu a amplitude do dormitório, um lugar extremamente
grande e espaçoso; com estantes enormes e recheadas organizadamente de livros,
janelas majestosas na qual se encontrava sentado sentindo a brisa marítima. Os
móveis, adereços, tapetes e o que havia lá, além de certamente ter valido um
alto custo eram de um luxo e bom gosto sem igual.
Biblioteca.
Acabara de identifica-la, no momento só
faltava recordar o que viera fazer ali e quando chegaram, seus olhos fixaram-se
no professor ao seu lado. – Vejo que não faz idéia nem de onde esta não é? –
Depositou o livro sobre a mesa e caminhou até o aluno.
O rapaz fechou o livro e
posicionou seu corpo para frente colocando o suplemento ao lado. – Perdoe-me
Kabuto sensei. – Seu olhar era vago e a feição aborrecida.
Kabuto conhecia muito bem o
garoto a sua frente, afinal, havia acompanhado o crescimento de seu jovem
pupilo desde pequeno. Fora contratado pela família real para educa-lo,
instrui-lo e literalmente assumir o papel de pai, sendo príncipe herdeiro do
trono consequentemente carregava a responsabilidade de substituir futuramente
seu pai, e enquanto esse dia não chegasse o rei prosseguia com a rotina de
afazeres reais; o que inúmeras vezes os privavam de uma vida familiar normal.
Mediante a todas essas
circunstancias, se apegara demais ao menino e com o resultado da convivência o
conhecia melhor do que ninguém.
O tutor cruzou os braços. –
E o que aconteceu dessa vez?
Sasuke baixou a cabeça
demonstrando cansaço e entrelaçando os dedos das mãos. – Por que... – A voz era
mais rouca que de costume, o que significava que a irritação era grande. Porém,
preferiu guardar para si.– ...Não é nada demais, não se preocupe. – Bravejou.
Queria de todas as formas apagar aquela imagem de sua mente, sem sucesso.
[ ... ]
Após percorrer um longo trajeto a ala dos dormitórios reais,
o homem de pele morena aparentando ter seus 40 anos, trajando um sobretudo
cinza com o brasão da família real em seu peito a direita e o escudo do país em
suas costas. Adentrou na 3ª porta a esquerda do comprido corredor sem bater;
ajeitou o pano que lhe cobria a face esquerda, mantendo o passo apressado,
contudo, silencioso, ultrapassando a sala de entrada até alcançar o escritório;
e lá estava quem procurava.
Suspendeu a caminhada na porta reverenciando-o e respeitosamente
dirigiu a palavra ao garoto que sentava-se ao modesto sofá integrante da
comprida janela. Porém, antes que dissesse uma palavra sequer constatou
irregularidades no ambiente incomum do momento. O lugar em si estava
costumeiramente normal: como esperado dos aposentos do príncipe era enorme,
dividido em ambientes e luxuosamente mobiliado e decorado... Sendo assim,
acabara de deduzir a questão.
- Alteza, algum problema? –Observava seu pupilo que
aparentemente nem havia notado a presença dele ali.
Correram alguns segundos de silêncio.
- Não. Nenhum. – Respondeu sem voltar-se ao tutor.
O ruivo não convencera um mínimo sequer com seu tom de voz
vago. Ele cuidara do pupilo desde que o rapaz era uma criança, portanto,
dificilmente não conseguia lê-lo independente de avaliar aquelas esmeraldas.
Precisamente, o garoto meditava, o que preocupava-o pelo fato de que quando
esse ato era executado, revelava situações extremas.
Cruzou os braços. – Tem certeza do que diz Gaara-sama?
O ruivo suspirou, aprendera que jamais conseguiria esconder
nada do moreno. Virando o rosto de maneira a confirmar a suspeita, respondeu
com a voz pensativa. – Baki... –
Endireitou o corpo a ficar de frente. – Você alguma vez pressentiu que algo
iria acontecer?... – A feição tornara-se séria.
Correspondendo a intensidade do Príncipe, seu rosto
enrijeceu. – Sim. Mas qual o motivo da pergunta alteza? – Claramente expressava
um misto de curiosidade e receio.
O Sabaku retomou a posição na janela e fitou o céu, sentiu
uma inquietação em seu peito e seguidamente ansiedade, definitivamente
detestava ter aquele tipo de sensação. Não sabia o que ocorreria, nem como ou
mesmo quando. Estava fora de seu alcance interferir em algo invisível.
Sentia-se inútil, incapaz e vulnerável. Desde que observara o nascer do sol,
acomodado da melhor forma possível no acento próximo a espaçosa janela, em meio
as trabalhadas almofadas no confortável estofado, hipnotizado na majestosa
entrada do astro em seu plano visual, mantinha-se, apesar da paz, com seu peito
pesado e oprimido pela maré indigesta de sentimentos.
- Sinto que ira acontecer alguma coisa... – Sua voz saiu
rouca e baixa.
Uma sensação de mal estar percorreu o corpo de Baki como uma
corrente elétrica, significando uma coisa, se o ruivo havia tido aquele
pressentimento, ele iria ocorrer. O homem respirou profundamente e dissipou o
pensamento que tomara sua mente, não era hora para se deixar abalar pelo que
ouvira e no atual momento, nem tempo disponha para tal. Recobrou a postura e
retomou o texto inicial.
- Bem Gaara-sama, fique tranquilo, você tem a mim e a mais
milhares de homens que sacrificariam suas vidas por este país e pela família
real. – Sua voz seguia firme. – Vamos, precisa terminar de se preparar.
Seu tutor tinha razão, não deveria se deixar levar por
sentimentos desagradáveis e muito menos se deixar corromper por isso. Ainda
existiam muitas coisas a serem concluídas e incondicionalmente apresentar-se-ia
de forma perfeita, afinal, ele era Sabaku no Gaara. Inúmeras pessoas estariam
focadas nele e não demonstraria de forma alguma o que estava sentindo.
Abaixando a cabeça como sinal de auto compreensão, soltou um
discreto sorriso para si. – Certo, vamos encerrar com isso. – E antes de dar o
primeiro passo, fitou uma ultima vez a janela com aquela pintura natural
maravilhosa, soltou o ar vagarosamente e seguiu seu tutor.
[ ... ]
Cada membro da família real desde sua infância recebia um
acompanhante no qual conviveria pelo resto de seus dias. Tutor, pai,
responsável, amigo. Um ícone importantíssimo para o desenvolvimento do futuro
do país, contudo, nem sempre o costume seguia-se a risca e outros tutores
acabavam envolvendo-se no processo de educação de outros. Hora de boa vontade,
hora de má vontade.
Iruka cuidava do pupilo, Kakashi se encarregava de evitar um
colapso familiar. A parte de ter que cobrir as besteiras do jovem príncipe
sempre lhe sobre caía, mas preferia isso a ter que reviver assim como todos os
residentes e funcionários do castelo a ira da 1ª dama. Supervisionava detalhe
por detalhe o serviço das empregadas para ter certeza de que nada ficasse para
trás.
Caminhando entre as mobílias do luxuoso quarto de visitas,
confirmou que a reorganização chegara ao fim e a hospede havia se retirado há
pouco tempo; ainda sentia o perfume feminino levemente esvaindo-se devido as
grandes janelas abertas. Correndo os olhos, uma bandeja lhe chamou a atenção,
nela encontravam-se dois copos e uma garrafa vazia. Aproximou-se e imediatamente
pegou um dos copos observando-o.
Uma das serviçais ofereceu-se. – Hatake-san, deixe, eu
levarei a bandeja.
O rapaz afirmou com a cabeça e retornou o copo, a garota
ajeitou os objetos e dando uma ultima verificada retirou-se. Todavia, Hatake
manteve-se a seguir o comprido e decorado recipiente que sobressaia-se; não
compreendia o que fazia lá e principalmente: o aroma que exalava não era de uma
simples bebida.
Aquilo o intrigará.
[ ... ]
Na área mais afastada
da guarda montada nas proximidades do mar, um dos soldados caminhava
tranquilamente enquanto apreciava a brisa marítima. Deliciava-se com sua missão
que lhe proporcionava tal vista maravilhosa; dificilmente teria tal
oportunidade se continuasse aonde estava.
O céu alaranjado,
agora tingia-se de negro e o sol despedia-se com mais a finalização de um dia,
e isso só o recordava de que chegará o horário combinado. Apressando os passos,
a grama abaixo de seus pés reclamava mais alto enquanto o rapaz seguia em
direção as rochas.
Tirando da parte
interna de seu casaco, um pequeno pedaço de papel dobrado caprichosamente
revelou-se. O moreno assoviou e em poucos segundos, embalado pela corrente de
vento aproximou-se pousando em seu braço que já o aguardava.
Depositou sua mão
sobre as asas já fechadas da ave e acariciou-o como recompensa. – Muito bem
garoto.
Voltou sua atenção
para as patas do animal e identificou o que procurava, cuidadosamente guardou o
pequeno conteúdo no recipiente fixado na pata esquerda do falcão. – Saga, esse
papel é muito importante. – Encarou a ave. – Você deve ir o mais rápido que
conseguir entrega-lo certo?
O falcão mantinha-se
fixado aos olhos de seu mestre. – Vá, e tenha cuidado. – Despedindo-se,
impulsionou o voou da ave movimentando o braço na qual repousava.
Observou-o afastar-se
rapidamente misturando-se ao céu que escurecera
por completo. Aproveitando a oportunidade inspirou e soltou o ar com
sentimento de missão cumprida, entretanto, antes que espreguiça-se foi
interrompido por uma voz de comando.
- Soldado! – O som
dos passos foi interrompido.
O rapaz virou-se na
direção da voz. – Sim?
- O que está fazendo
ai, não tinha um serviço pra ser executado? – A voz soava repreensiva.
Sorriu. – Não se
preocupe Sakura-sama, acabei de concluí-lo.
Sentiu um arrepio. –
Ah, pare de sorrir assim! – Cruzou os braços e desviou o olhar. – Até parece
uma garota quando sorri assim Haku!
O moreno riu
divertindo-se. – Me perdoe. – Seguiu em direção a rosada.
[ ... ]
O 3º dia de
comemorações do feriado dos Piratas havia chego. Não importavam quantos dias fossem,
certamente aquele povo teria energia e rum o suficiente para prosseguirem sem
problemas; contudo, toda regra tem uma exceção e no momento essa exceção tinha
nome.
- Poha Naruto! Que merda
é essa?! – Acomodava-se na cadeira da frente.
O loiro levantou a
cabeça vagarosamente e desfez o apoio que fizera com seus braços. – Ta foda
Shika, hoje ta foda.
Estava admirado. – O
que aconteceu? Ta com a maior cara de acabado... E que é isso? Ta usando óculos
escuros?! – Soltou um som de incredulidade ao finalizar o que dizia.
Espreguiçou-se. –
Essas luzes todas – Apoiou os ombros na mesa e retirou os óculos. – Essa
música, ta tudo me dando dor de cabeça. – Massageou as pálpebras.
Levou a taça aos lábios
e serviu-se de um gole de rum. – Caralho. Que andou fazendo noite passada?!
Soltou o ar
vagarosamente. – Essa é uma boa pergunta...
Mas antes de concluir
foram interrompidos. – E ai Shika, como esta?
Um rapaz alto,
trajando uma das vestimentas reais, com seus cabelos curtos cor de fogo e seus
olhos verdes, possuía uma presença invejável e na festa era um dos alvos mais
cobiçados pela mulheres de plantão, independente da idade. Juntou-se aos dois.
Cumprimentou-o com um
toque de mãos ao qual estavam habituados. – Bem! Muito bem!
Analisou a mesa. – E
onde esta a Temari-san? Ela não veio com você? – Fez aquela cara de “ela não
desgruda quando estão juntos”.
Apontou com o polegar
para traz. – Não quis vir, encontrou a Sakura e ficou por lá mesmo. – Demonstrava
não importar-se. – E a sua majestade?
O ruivo soltou uma
risada. – Que mané majestade! – Ajeitou-se na cadeira já chamando um garçom. –
A minha está viajando. – Estava aliviado.
A mesa riu em
conjunto.
Virando-se ao
vizinho, balançou a cabeça negativamente. – Vai se enganando Gaara. – Sorriu
gozador.
Respondeu enquanto
era servido pelo garçom. – Cala a boca seu cachaceiro, olha o seu estado, ta
sem moral pra falar alguma coisa. – Agradeceu e liberou o atendente.
Imediatamente
Shikamaru gargalhou, e confirmou com a cabeça. – É, ele tem toda a razão
Naruto!
O Uzumaki fez uma
careta. – PQP SHIKA, RI BAIXO CARALHO!
Acenou para alguns
convidados que o cumprimentavam a distancia. - Pra alguém com dor de cabeça ta
falando bem baixo heim? – O ruivo deu um gole em seu rum. – Esse zé mané sumiu
ontem, foi aparecer hoje de manhã.
Segurou o copo a sua
frente. – Valeu mesmo. – Ingeriu do liquido.
Ao retornar seu olhar
para a frente, visualizou uma figura conhecida. Rapidamente deixou o copo sobre
a mesa e levantou-se empurrando a cadeira para traz com o corpo já
retirando-se. A atitude do Sabaku chamou a atenção dos acompanhantes que apenas
o observava.
- Já volto. –
Retirou-se em direção a pista de dança.
Ambos se
entreolharam; Naruto deu de ombros respondendo a pergunta formada nos olhos do
Nara.
-Então, - Retornou a
conversa antes interrompida e recém introduzida. – Tu sumiu e voltou acabado é?
Terminou o copo. –
Poizé. – Voltou-o ao lugar. – Véi, tu nem faz idéia. – Apoiou a cabeça nas
costas das mãos entrelaçdas. – Cara, acordei hoje de manhã com uma mina na cama
em um dos quartos de hóspedes.
Sikamaru riu. – Ta, e
qual é o problema? – Esse era o normal do amigo, ele sempre acordava com alguma
garota em algum quarto de hóspedes.
Desfez as mãos e
balançou-as negativamente. – Essa não é a questão. O porém é que eu acordei e
não me lembrava. – Fez uma pausa. – E nem me lembro do que aconteceu.
Analisou a cara do
amigo e recostou-se no acento dobrando os braços. – Esta me dizendo que não tem
recordação alguma do ocorrido?
- Exatamente. – Foi
categórico. – Só me lembro do final da festa, até nos despedirmos; depois disso
minha mente não tem nada. – Largou-se na cadeira. – Não sei quem era a mina,
como fomos parar no quarto, o que fizemos e etc.
Estranho, essa foi a
primeira coisa a surgir na mente do líder da inteligência de Konohagakure.
Realmente essa palavra descrevia corretamente o que ocorrera com o loiro
inconformado a sua frente, ainda mais porque a bebida nesse caso não poderia
ser culpada. Como Gaara havia dito, Naruto era um belo cachaceiro e possuía uma
tolerância a álcool inimaginável; porém, teve seus cálculos interrompidos por
vozes conhecidas.
- Shikamaru querido!
– Uma linda mulher ruiva de braços abertos aguardava ser correspondida.
O moreno prontamente
levantou-se e a cumprimentou. – Kushina-sama!
- Naruto, levante-se!
– Ordenou. – Venha cumprimentar o Hiashi! – Minato sorria.
Naruto apenas
obedeceu, não desafiaria seu pai independente da dor de cabeça que tivesse,
ainda mais na presença de seu melhor amigo: Murakami Hiashi; também segundo em
comando total do exército do País do Fogo.
Após seguirem o
protocolo e cumprimentarem-se, sentaram-se a mesa, agora, também acompanhados
por Sakura e Temari.
- Onde Gaara esta? –
Perguntou Yondaime rondando o local.
- Ele viu alguma
coisa e saiu fora. – Respondeu sem paciência, tentava desvencilhar-se do braço
de Sakura que agora estava ao seu lado.
Temari terminou de
utilizar-se do guardanapo e acrescentou. – Magestade, Sakura e eu o vimos na
pista de dança com uma garota de cabelos negros. – Percebeu a atenção de
Shikamaru para si.
Hiashi sorriu. –
Ótimo, então deve ter se encontrado com Hinata! – Demonstrava satisfação.
Grudada no outro
braço de Naruto.- Então ela veio mesmo? – Hanabi não acreditava. – Pode ser que
não seja ela... – Fez uma careta de incredulidade.
- Hanabi! –
Esbravejou o patriarca.
Minato serviu-se de
mais rum. – Calma Hiashi, tenho certeza que ambos estejam juntos! – dizia de
forma a parecer que estava contente justamente por isso.
Kushina soltou um
leve riso ao entender dessa forma. – É, não se preocupe Murakami-san.
Percebendo a
inquietação e desconforto do filho sugeriu. – Naruto. – Teve total atenção do
rapaz, deveria estar desesperado para se livrar da rosada e da morena. – Por
que não vai procurar pelo seu irmão?
Em um impulso Naruto
pôs-se em pé livrando-se das garotas que intensificavam seu mal estar. – Deixa
comigo!
- Chegamos. – Uma voz
divertida anunciou-se.
Os olhos de todos da
mesa arregalaram-se e por um momento até
a dor de Naruto cessou. Minato levantou-se rapidamente e foi até o casal que
acabara de chegar; Gaara estava acompanhado de uma belíssima morena, de longos
cabelos negros, pele levemente bronzeada. Vestia um lindíssimo vestido que valorizava
muito bem seus fartos atributos, seus olhos eram de um lindo tom verde e seu
sorriso... Ah aquele sorriso... Para Yondaime era encandator, para os demais...
Reverenciou. – Muito
prazer, sou Murakami Hinata. Filha primogênita de Murakami Hiashi. – Finalizou
com um tom de voz doce.
Enquanto as mulheres
faziam caretas e sem sucesso tentavam disfarçar sua insatisfação, os homens
sorriam com cara de idiotas, menos um.
Naruto deu um pequeno
sorriso de canto de lábio, que a caçada comece...
[ ... ]
Apoiada em Hanabi e
TenTen, Hinata caminhava com dificuldade até o quarto de hospedes que lhe havia
sido destinado para passar a noite. A garota exagerara na bebida e acabara
nesse estado lamentável; levemente corada, contudo ainda ciente de seus atos,
sentia-se envergonhada e pedia desculpas de tempos em tempos as suas
salvadoras.
TenTen divertia-se. –
Então quer dizer que Hinata-san não pode beber?!
- Nem um pouco! – a
caçula gargalhava.
Corava ainda mais. –
Pare com isso Hana... – Falava com dificuldade.
- Relaxe Hina! –
Sorriu a irmã. – Estou admirada como resistiu firmemente enquanto esteve ao
lado de Gaara-sama! Não pensei que aguentaria tanto tempo só pra não fazer feio
na frente do seu príncipe!
- Príncipe da
Hinata-san? – TenTen regia ambas a virarem a esquerda.
Confirmou com a
cabeça. – Sim, minha irmã é apaixonada pelo primogênito dos Namikaze.
-
Haaaaanaaaaabiiiiiiii! – A tentativa de repreensão saiu fraca, arrastada e
entredentes. Hinata estava em seu limite.
Ao alcançarem o quarto
amplo, de decoração belíssima e exclusiva, deitaram a morena na enorme cama de
casal e se retiraram.
- Não tem problema
deixa-la assim? – Preocupava-se TenTen.
Fechou a porta. – Não
se preocupe, ela se vira! – Pegou-a pelo braço. – Vamos! Ainda da tempo de
ficar mais um pouco com Naruto-sama!! Não posso perder pra aquela noiva
ridícula dele!!
Escutou os passos
afastaram-se da porta, então acomodou-se melhor naquela cama maravilhosa. Tirou
vestido com dificuldade ficando somente com sua roupa intima; tentou com todas
as forças seguir até o banheiro para ao menos se lavar e colocar um pijama, mas
não resistiu. Olhando fixamente para o teto, seus olhos fecharam pesadamente
sem lhe dar a chance alguma.
[ ... ]
O dia terminara e
nunca sentira-se daquela forma na vida, aquele estado ocorria somente após
reuniões gerais, reuniões com seu pai, reuniões com seu irmão, conversas com
Iruka Sensei, dias em que trabalhava que nem um animal. Jamais para
finalizações de comemorações regadas a litros e litros de rum, recheadas de
belas mulheres que só de receberem uma olhada mais ousada liberam geral...
Mulheres... Mulher.
A imagem de uma bela
morena primogênita de um certo amigo de seu pai surgiu em sua mente; sua cabeça
latejou ainda mais.
- Aquela mulher... –
Disse entredentes raivosamente.
Parou. Colocando as
mãos as lados de sua cabeça, em uma tentativa frustrada de fazê-la parar de
girar, respirou fundo e seguiu em frente com passos mais lentos. Apesar disso,
as imagens insistiam em ressurgirem para irritá-lo ainda mais.
Como uma garota como
aquela ousara discartá-lo para ficar atrás de Gaara?! Nenhuma mulher o
descartará em toda a sua vida! Tudo bem que fora muito educada, mas o
DESCARTARA! O loiro bufou. Suas melhoras táticas de conquista perecendo uma
após outra diante de seus olhos... Como? Proceguia em achar a resposta para
tais perguntas; no que falhara? O que errara?
Respirou fundo. –
Quer saber, que se foda!
E assim, eliminou
aqueles pensamentos de sua mente para tentar entender o motivo de ter tentado
acabar com sua dor de cabeça e mal estar causados pela bebida com mais bebida.
As vezes dava créditos a Iruka por chama-lo de idiota. Se não agisse como um,
não seria chamado assim.
Preferiu encerrar seu
momento de filosofia ao avistar a porta do quarto; sentiu até um alivio ao
chegar no corredor. Entretanto, fez mais uma pausa e olhou para traz, precisa
certificar-se de que havia realmente se livrado de Sakura e Hanabi... Não
bastasse sua noiva rosada com sua mãe lhe atormentando todo santo dia depois do
maldito noivado, agora fora presenteado com mais um infortúnio. Antes se a
caçula pudesse ser aproveitada, mas era de menor, se tentasse algo com ela
seria morto pelo pai da menina e depois pelo seu pai, independente da ordem; a
idéia de ser pedófilo também não lhe agradava nem um pouco. E vendo bem, a
pequena era uma tabua...Que pensamentos eram aqueles?! Precisava seriamente de
um bom descanso...
Abriu cuidadosamente a
porta, qualquer ruído virava um tremendo barulho dos infernos. Agradeceu pelo
local estar escuro, já sentia a dor na região dos olhos amenizar-se; no trajeto
até a cama, aproveitou para despir-se. Deitou calmamente para desfrutar da
macies daquele maravilhoso móvel e antes que se desse conta, não estava mais
acordado.
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